...uma missão a ser cumprida...

...uma missão a ser cumprida...

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Meio caminho...

É assim. Escrever não é um dom. Tem um forte conteúdo dramático e é também um mergulho profundo na própria consciência. Aos poucos vão aparecendo marcas há tempos camufladas pelo que é facilmente repetitivo e mecânico. Falar de outra pessoa, bem como contar sua história não é tarefa das mais fáceis. No entanto, eu, admirador deste caminheiro, desde o primeiro contato percebi algo de diferente em sua condição. Apostei naquele que superou a promessa de caminhar e vem laboriosamente desenvolvendo médiuns, andando com eles lado a lado e passo a passo refazendo seu caminho. A cada dia atesto sua habilidade de ensinar mesmo sem nenhum conteúdo educacionalmente obrigatório, pois não traz em si o tradicional início, meio e fim manipulando as emoções, minhas também, num quase perfeito equilíbrio. Linguagem própria e estilo inconfundível vêm constatar que cada filho traz em si a marca de um médium feito e pronto, definitivamente mesmo. Há também em sua mediunidade uma espécie de flagrante espiritual, mostrando que o tempo é breve, mas que cabe ao doutrinador fazer valer sua capacidade de torna-lo infinitamente longo e eterno. Com um discurso aparentemente precário, ele consegue criar um “clima” capaz de imprimir um caráter quase mnemônico ao evento mais banal do cotidiano deste amanhecer, a incorporação. Pode não possuir à primeira vista, uma unidade doutrinária esperada por todos, exigida pelos mais bem treinados. Mas quão maior do que é, senão o profundo mergulho nas intenções e mais sincero desejo dos homens dos céus? E é o que ele tem feito; tornado-nos porta-voz dessa aruanda, ainda mais o quanto sua técnica e audácia doutrinária faz-se impregnada de uma humanidade gratificante aos olhos do Pai. São as sensações de quem viveu os deslizes desta doutrina mais do que os que ainda virão. Sempre que posso ando com ele, invadindo o território interior da alma daqueles que chegam aflitos, debruçados sobre si mesmos numa espécie de tentativa de adiar a própria morte sobre nossas mãos. Aprendi com ele que cada retiro é um acerto de contas, onde a angústia da cobrança é acalantada pelos dividendos da esperança em forma de passe ou fumaça. Aprendi também, que por trás dos nossos coletes condecorados, existem homens e meninos que não devem se enganar, pois o trabalho na lei do auxílio não nos fará vivermos eternamente no céu. Agora sei que jaguar é antes de tudo homem, a conviver com o bem e o mal. Pensando bem devo confessar que existe sim, um dom no ato de escrever. A arte da abolição da culpa, que tem sido o método mais convencional a dar agilidade ao falso perdão que exercito externamente. Hoje caminho e me permito à peregrinação nas interseções da vida, onde os desajustes são o acúmulo da felicidade plantada grão por grão. De longe, vejo meu irmão caminheiro com seu coração prestes a explodir, liberando a cada elevação bendita um pouquinho da culpa cultivada em vão. Obedeço e obedecerei meus mestres veteranos, e peço ao Pai que me dê forças para saborear ainda mais o que me foi sorvido aos lábios, em juramento.



sexta-feira, 3 de abril de 2015

O encontro das águas...




A cada reencontro, completamos um ciclo. Ao fecharmos um círculo, renovamos o rito que nos permite olharmos uns nos olhos dos outros. Olhamos pra trás porque é inevitável. Mas é também impossível não recomeçar. Uma nova viagem rumo ao centro de si. É o momento de sonhar voar alto. No pé da montanha sentir o calor da queda d’água batendo forte no peito e bem no canto da alma. A certeza de que energias e boas vibrações independem do ambiente social ou religioso. Elas verdadeiramente moram dentro da gente. Provamos que ancorar velas e içar bandeiras vale a pena mesmo. Todo domingo. Embora não nos falte nunca a oportunidade, de celebrar a alegria. De viver na camaradagem.

Salve Deus!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Amanhecer colorido.



                                   

                                  "De tanto voar achei você, multicolorido exatamente igual. Ao meu astral."

Estamos habituados a perceber as coisas não em sua singularidade, mas nas classificações e etiquetas a elas aderidas. E comigo foi assim quando me deparei com a magia pela primeira vez. Durante anos ambicionei um método seguro para a compreensão da vida e das imperfeições que variavam nela. Recusei a existência das diferenças. A consequência foi a renúncia imediata de uma fé sem fronteiras, no limiar entre acreditar e sentir. Eu estava ali em busca de respostas. Apreensivo; captava o teor de misticismo e simplicidade que pairava no ar. Tentava com pouco êxito inibir as sinuosidades internas da alma. Meus olhos recortavam cada rosto e cada imagem. Tão logo me sentia em casa, assustado como quem recebe uma visita inusitada, mas naturalmente providencia as xícaras para o chá ou café. Era difícil imaginar um chão comum capaz de acolher e entrelaçar tantos corações cheios de medos, anseios e esperanças. Começava ali o processo de reconstrução da minha espiritualidade. A voz rouca que me falava ao pé do ouvido, tinha a medida certa entre as palavras e os gestos, capazes de sufocar minhas descobertas mais íntimas. Mistura singela entre companheirismo e paternidade. Tudo que havia vivido até então foi posto à margem e eu, convidado para uma travessia. Para além das cores, roupas, gestos e práticas que compunham aquele até então “estranho” ritual, havia não só um chão, mas um horizonte em comum; onde a fé começa com a vontade, a mais autêntica intenção humana.